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PortugalChaves
A preto e branco
Luís Cirilo Carvalho
2017/10/09 11:33
"A Preto e Branco” é uma coluna de opinião que procurará reflectir sobre o futebol português em todas as suas vertentes, de uma forma frontal e sem tibiezas nem equívocos, traduzindo o pensamento em liberdade do seu autor sobre todas as questões que se proponha abordar.

Sendo claro que desde que me conheço o meu clube é o Vitória, como é natural sendo nado e criado em Guimarães, nunca padeci desse mal tão português que é o de depois ser adepto de um dos três outros em questões de luta para o titulo.

Para mim a questão é simples; enquanto o Vitória não lutar para o titulo, e acredito que um dia o fará, a questão do titulo é assunto que pouco me interessa porque não diz respeito ao meu clube e assim sendo não me diz respeito a mim.

Mas noutros países da primeira linha do futebol europeu tenho as minhas simpatias, tenho clubes que gosto de ver ganhar e que me fazem ver os seus jogos sempre que possível na vasta oferta televisiva que felizmente temos de outros campeonatos.

Por razões diversas, com graus de simpatia variados, há contudo algo que é comum a todos eles e que é facto de nenhum desses clubes, como adiante se verá, estar sediado na capital do respectivo país o que traduz uma aversão pessoal a tudo que cheire a centralismo e a poderes ocultos.

Deixando Espanha para o fim, porque sendo razão deste texto merece desenvolvimento maior, façamos então uma pequena viagem pela Europa do futebol.

Começando por França onde, curiosamente, nunca tive particular simpatia por nenhum clube, provavelmente por não gostar ao longo dos anos da forma como o país se posicionou no mundo do futebol com uma arrogância e uns tiques de superioridade que nunca tiveram nenhuma expressão prática na afirmação internacional dos seus clubes.

A nível de selecção sim, sem dúvida, mas de clubes não.

O que se passou anos atrás com o Marselha, campeão europeu com base na corrupção, e se passa agora com o PSG, que quer afirmar-se ao mais alto nível despejando no futebol sacos de dinheiro, não contribui em nada para que algum dia tenha simpatia pelo futebol francês.

Passando para Itália, tenho clara simpatia por dois emblemas: Nápoles e Milan.

Os napolitanos por causa de Maradona, um futebolista excepcional que fez de um, até então, apagado clube um clube campeão e vencedor de troféus nacionais e internacionais, e também pelo impressionante apoio que os seus adeptos lhe dispensam e que se traduz em médias de assistência das mais elevadas de Itália num San Paolo sempre cheio e vibrante.

O Milan claramente por causa do tempo dos holandeses (Van Basten-Gullit-Rijkaard) que, com o auxilio de italianos de grande valia (Baresi-Maldini-Donadoni-etc), construiram uma das melhores equipas mundiais das últimas décadas.

Na Alemanha, uma ligeira simpatia pelo Borussia de Dortmund, muito por força da admiração que tenho pelos seus excepcionais adeptos que jogo após jogo enchem o estádio permitindo ao clube a melhor média de assistências do futebol alemão e mostrando ao mundo do futebol aquela esmagadora “parede amarela” que seguramente os ajuda a ganhar muitos jogos.

Em Inglaterra, uma já muita antiga simpatia por dois clubes. Liverpool e Newcastle.

O Liverpool por força das suas grandes equipas dos anos 70 e 80, com Keegan,Dalglish, Rush, dos seus excepcionais adeptos, da bancada “Kop”, uma das mais admiráveis do mundo do futebol, e da enorme mística de que o clube goza construida através de muitas e muitas conquistas.

O Newcastle por razões diferentes.

Não é um dos maiores clubes ingleses(como Liverpool, Manchester United, Arsenal, Chelsea), tem pouquíssimos títulos e troféus, mas é de uma cidade com grande tradição histórica, tem adeptos de uma fidelidade extraordinária ao clube, o seu “St James Park” regista das melhores médias de assistência do campeonato inglês e as suas cores principais são o branco e o preto!

Acho que não preciso de explicar mais razões para simpatizar com o Newcastle.

Na Holanda, a minha simpatia vai desde sempre para o Ajax.

Pelas suas fabulosas equipas dos anos 70 lideradas por Johan Cruyff e também por ser um clube com uma bem sucedida política de formação no que é um exemplo para o mundo do futebol.

E vamos a Espanha.

Onde os “meus” clubes são desde sempre o Barcelona e o Atlético de Bilbau.

Por razões idênticas no que se refere a serem clubes que incorporam na sua essência uma fortíssima identificação com as regiões em que estão inseridos e de que foram sempre “bandeiras” a que acrescem outras razões que a seguir adianto.

No caso dos bilbaínos, pela sua política de utilizarem apenas jogadores bascos, o que, limitando o seu mercado de recrutamento, também reforça a identidade da equipa, e ainda pelo ambiente extraordinário que sempre se viveu na sua “catedral” de San Mamés, um estádio sempre muito difícil para os visitantes.

No caso do Barcelona, porque para além dessa identificação com a Catalunha, de que foi o grande porta-bandeira no tempo do franquismo, soube ao longo dos anos construir grandes equipas pelas quais passaram alguns dos melhores jogadores do mundo.

Se numa curta resenha considerarmos que no Barcelona jogaram Bala, Cruyff, Neeskens, Simonsen, Schuster, Maradona, Laudrup, Stoichkov, Koeman, Ronaldo, Rivaldo, Romário, Ronaldinho, Figo, Iniesta, Xavi, Messi, Ibrahimovic, Etoo e Neymar, entre outros, constataremos que dificilmente outro clube do mundo terá alinhado tantos jogadores de tão alto nível.

Mas é precisamente essa ligação profunda à Catalunha, o ser intérprete dos sentimentos autonómicos e independentistas de muitos catalães, que põe hoje o Barcelona perante um dilema tremendo que não estará nas suas mãos resolver.

Sabe-se o que se passa na Catalunha.

E sabe-se qual a posição do Barcelona defendendo a independência da região.

Não é tema para estas páginas a análise política do enorme problema catalão que ninguém sabe como vai terminar, tal o imbróglio criado e o extremar de posições entre o governo de Madrid e a Generalitat catalã.

Mas se por hipótese a independência vier a ser um facto (e ninguém pode negar que essa possibilidade existe), que vai ser do Barcelona?

Não disputará o campeonato de Espanha (que sem os dérbis com o Real Madrid nunca mais será o mesmo) porque a Liga espanhola, e bem do meu ponto de vista, não quer nenhum acordo que permita que isso aconteça.

Se não querem ser Espanha não tem que jogar no campeonato espanhol.

Um campeonato da Catalunha com o Espanhol (outro clube histórico que poderá pagar divergências políticas em que nunca se meteu), o Girona e clubes de divisões inferiores é “curto” para a sua dimensão.

Jogar noutra Liga europeia parece-me problemático a vários níveis porque, sendo um clube que valorizaria qualquer liga, seria também um clube a introduzir factores de desequilíbrio que até então não existiam, dado tratar-se de um enorme candidato ao titulo em qualquer campeonato europeu.

Benfica, FC Porto e Sporting gostariam de concorrer com o Barcelona? Não me parece.

PSG, Mónaco e Lyon? Também não.

Bayern, Dortmund, Leipzig, Leverkusen, Hamburgo? Acho que também não.

Manchester United, Manchester City, Arsenal, Liverpool, Chelsea? Duvido muito.

Talvez Itália fosse a melhor hipótese, mas nem isso é certo.

O futuro dirá se teremos uma Catalunha independente e a terrível ironia de a sua marca identitária - ligação à região - e aquilo que lhe deu tantos triunfos - a sua grandeza - se transformarem em imensos problemas capazes de colocarem em causa a continuidade do Barcelona como um gigante do futebol europeu e mundial.

De facto, política e futebol nem sempre são um “casamento” feliz!



Comentários (15)
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Motivo:
AS
Luís Cirilo Carvalho
2017-10-11 11h07m por ASNL
Caro senhor, como aqui já foi referido o Ajax é um clube de Amsterdão, capital dos Paises Baixos. Portanto já faz um entorse ao que disse no início em que não apoiava nenhum clube de capital.

Quanto ao Marselha ter sido campeão europeu com corrupção está completamente enganado, apenas tem uma aversão a tudo o que toca à França. O Marselha corrompeu alguns jogadores de uma equipa do campeonato francês para ser campeão o mais rápido possível. Portanto não foi nas competições ...ler comentário completo »
AS
Pinho352
2017-10-11 11h02m por ASNL
O Lizarazu é basco, da parte francesa mas basco na mesma. Aliás com o nome Bixente Lizarazu só podia
iS
Sr Luís Cirilo Carvalho
2017-10-10 18h32m por iSMURF4
Tenho gostos muito similares ao senhor a nível de clubes na Europa mais especificamente.

Em Portugal:

Sou Portista sempre fui, apesar de na minha família serem maioritariamente benfiquistas (por razões óbvias). . . ninguém me influenciou na escolha do meu clube, mas era aquela equipa com qual mais me identificava!

Em Espanha:

Não tenho nenhum clube que simpatize por aí além. . . mas apesar do mau momento atual sempre tive uma admir...ler comentário completo »
le
Lógica Aberrante - continuação
2017-10-10 08h51m por leaodagorongoza
Que ninguém se preocupe, os catalães saberão definir o que querem e construir como quiserem a nova Nação. . . mas não se pode raciocinar em termos de alguns organismos e empresas preferirem ou optarem por continuar a sua relação com o antigo. . . Independência é rompimento total e completo com tudo que se relacione com o ex-País dominante. . . Independência é novo, é libertar das normas antigas é criar tudo novo. . .

Barcelona? Saberá, a seu tempo, se adaptar à nova realid...ler comentário completo »
le
Lógica Aberrante
2017-10-10 08h41m por leaodagorongoza
Como tudo na vida qualquer fase transitória terá, forçosamente, de ter uma adptação temporária e gradual. Uma Independência de um País acarreta sempre custos sociais e financeiros Sendo assim qualquer Povo que abrace o desafio da autonomia política terá consciência das dificuldades que enfrentará, dificuldades normais e próprias de toda uma máquina soberana em criação. . . Gentes eu vivi a Independência de um País. . . mas que coisa mais linda, é tudo novo, diferente, nosso, melhor e, ...ler comentário completo »
Rs
track194
2017-10-09 19h35m por Rsoares67
Ai Jesus. A melhor parte é tu saberes exatamente em que ponto estás a ser ignorante mas não teres capacidade para te aperceberes disso.

Nenhum desses clubes são de países diferentes. . . O Mónaco é um principado que não é totalmente independente de França. O Mónaco não tem capacidade para ter uma liga própria porque tem apenas 38 mil habitantes, ao contrário dos 7 milhões da Catalunha. Que comparação estúpida, track. . .

O País de Gales não é um país, é um...ler comentário completo »
tr
Rssoares
2017-10-09 17h09m por track194
Monaco? Sweansea? Cardiff?

Acabaste de inventar essa regra da UEFA.

E agora respondes: "Ah e tal mas País de Gales e Inglaterra é tudo Reino Unido"

E eu respondo: "Certo, mas não para a UEFA pois cada um tem a sua selecção que participa em competições da UEFA ;)"

Não inventes regras da próxima vez :)
Rs
Ironia pura
2017-10-09 15h26m por Rsoares67
O Barcelona ser a favor da independência é a mais pura das ironias, já que a independência da Catalunha ditaria o fim do clube como conhecemos. A UEFA proíbe categoricamente que um clube de um país independente dispute a liga de outro país. Ponto. E um Barcelona num campeonato catalão afundaria num instante.

Mas que digo eu, o Barcelona é o exemplo perfeito da hipocrisia catalã que quer a independência mas não quer sofrer as partes negativas da independência. O Barcelona es...ler comentário completo »
xi
track194
2017-10-09 15h13m por xithombo
Certo. Cá entre nós podemos dizer que o Tondela, juntamente com os Big 3, nunca desceu de divisão.
Pi
Artigo
2017-10-09 13h00m por Pinho352
Um artigo relativamente interessante, cada um tem as suas preferências e as razões plausíveis para as quais optou por esse tipo de escolha clubística.
Debruçando mais a questão do Barça, é de facto um clube que a par do Athletic transporta atrás de si toda uma região (sem deixar de mencionar também o Espanhol e Real Sociedad, embora em menor número), os bascos porque praticamente jogaram sempre com jogadores nascidos ou crescidos na região (excepto Lizarazu e Laporte) e o Barça que c...ler comentário completo »
tr
Josec78
2017-10-09 12h42m por track194
O Hamburgo não é o único Clube Alemão que nunca desceu, o Bayern tambem nunca desceu, o Wolfsburg nunca desceu também e ha mais. O Hamburgo é simplesmente o único clube que participou desde a primeira edição que nunca desceu.
Jo
Hamburgo
2017-10-09 12h22m por Josec78
Hamburgo é o clube com mais presenças na 1ª divisão alemã e o único que nunca desceu mas nos últimos anos é apenas um dos maiores candidatos à descida, todos os anos, e não candidato ao título.

Em relação ao Barcelona concordo que, com o tempo, vai deixar de ser um dos grandes europeus se deixar "La Liga". "La liga" também vai perder e muito: quem é que se vai interessar por um campeonato sem "el clássico". O campeonato português vai-se tornar muito mais interessante do que...ler comentário completo »
tr
E antes que venham
2017-10-09 12h01m por track194
E antes que venham falar em Haia ser Capital da Holanda, digo já que não é, está la sediado o governo mas a Capital é Amesterdão.

"The Hague is the seat of the Dutch government, parliament, the Supreme Court, and the Council of State, but the city is not the capital of the Netherlands, which constitutionally is Amsterdam. "
tr
Ja agora
2017-10-09 11h52m por track194
Já agora digo aqui os meus clubes preferidos de cada País:

Sou adepto do Celta de Vigo e do Sporting por isso em Espanha e Portugal estamos conversados.

Estados Unidos: Seattle Sounders, Sporting KC e New England Revolutions
França: Lyon
Holanda: Feyenoord
Itália: Inter e Fiorentina
Alemanha: Borussia Monchengladbach e Stuttgart
Inglaterra: Arsenal, Southampton e Chelsea.
tr
Sr.
2017-10-09 11h47m por track194
"que é facto de nenhum desses clubes, como adiante se verá, estar sediado na capital do respectivo país"

"Na Holanda, a minha simpatia vai desde sempre para o Ajax. "

Portanto o Sr. ou não sabe que o Ajax está sediado em Amesterdão, ou não sabe que Amesterdão é a capital da Holanda.

Ma ficou gira a tentativa, agora se calhar ate vai deixar de gostar do Ajax, veja lá, é melhor porque vai contra as ias convicções gosta de clubes da Capital.

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